Áreas comuns

Condomínios pelo BR começam a fechar espaços

Especialistas entendem que, na situação de emergência, síndico pode tomar decisão mesmo sem assembleia. Para Secovi-SP, questão é de bom senso entre moradores

Piscina, parquinho, salões de festa… áreas comuns de prédios residenciais estão começando a ser fechadas como medida preventiva para o contágio do novo coronavírus no Brasil.

“Nada de muita gente junta no mesmo ambiente. É para o síndico fechar academia, piscina, brinquedoteca… Parquinho ao ar livre é a última área a ser fechada, mas deve fechar tudo”, disse Marcio Rachkorsky, especialista em condomínios, no SPTV1.

Rachkorsky afirma que, pelo mesmo motivo, festas e churrascos devem ser cancelados: “Tem muita gente chiando, mas tem que cancelar.”

A mesma orientação vale para assembleias de condomínio e reuniões presenciais. Na última segunda (16), o Sindicato da Habitação de São Paulo (Secovi-SP) recomendou que elas sejam evitadas.

Síndico pode fechar áreas?

“O síndico tem a obrigação de zelar pelo bem estar do condomínio e isso inclui a autonomia de vedar o uso de áreas comuns do condomínio durante períodos emergenciais, como o que vivemos”, disse Ronaldo Coelho Neto, vice-presidente administrativo do Secovi Rio.

“O normal é que se faça uma assembleia, com quórum [número suficiente de moradores para deliberar]. Mas como fazer isso se estamos recomendando que assembleias sejam adiadas?”, observou.

O Secovi-SP entende que não cabe ao condomínio proibir a utilização dos espaços, devendo, no entanto, manter as áreas limpas e esterilizadas.

“Cumpre esclarecer que, neste momento, caberá ao bom senso dos condôminos e moradores a evitarem o máximo situações favoráveis ao contágio, devendo aqueles que resolverem utilizar as áreas comuns como academias deverão fazer uso das medidas de higiene já citadas”, disse, em nota, Ingrid Ferreira da Silva Gomes, advogada e assessora jurídica do Secovi-SP.

“Síndico representa condomínio jurídica e civilmente. É ele quem responde em ações judiciais e tributárias”, aponta Coelho Neto. “Uma eventual negligência pode ser contra ele. O certo é convocar assembleia, mas estamos recomendando acabar com aglomerações porque é um caso emergencial.”

Rachkorsky foi questionado por um telespectador do SPTV1 sobre casos de morador em quarentena: o síndico pode proibir quem está nessa situação de sair de casa? Segundo o especialista, o síndico não ter poder de polícia, ele pode apenas recomendar não sair.

“A consciência é sua: talvez você possa pedir para alguém ir ao mercado para você, pedir a um vizinho…”, sugeriu.

Evitar aluguel temporário

Para Rachkorsky, mesmo o aluguel de curto prazo, como o promovido por aplicativos como Airbnb, devem ser canceladas. “Já pensou, você toma todos os cuidados e, a cada dia, chegam 15, 20 hóspedes diferentes, você não sabe se onde vêm”, alerta.

O Airbnb lançou uma política para facilitar cancelamentos em meio à pandemia.

Lojas em prédios residenciais

Em prédios que tenham algum tipo de comércio nas dependências, o síndico não tem autonomia para fechar esses lugares, disse Coelho Neto, do Secovi Rio.

“A loja está exercendo atividade dentro do espaço que lhe compete, e o síndico não tem poder de obrigar um comerciante a fechar. Mas pode fazer recomendações, acho que deve”, completou.

Orientações a funcionários

Para o representante da Secovi Rio, síndicos e as administrações precisam passar recomendações para a equipe que trabalha nos condomínios.

Os porteiros devem fazem higiene quando recebem pessoas, lavando as mãos e usando produtos antissépticos. Síndicos também têm que fornecer e incentivar que os profissionais de limpeza façam uso dos equipamentos de proteção individual (EPI), disse Coelho Neto.

Além disso, é preciso ter cartazes com orientações nas áreas comuns e intensificar procedimentos de limpeza, várias vezes ao dia.

“Tem que ter álcool em gel disponível na portaria, incentivar e determinar maior higienização dos elevadores, pisos e portas. Estimular uso das escadas e evitar o uso do elevador com muitas pessoas”, afirmou Neto.

Prédios que têm serviços de manobrista devem fornecer produtos para limpeza durante a manobra, aconselhou.

E se tiver um caso confirmado?

De acordo com porta-voz da Secovi Rio, é preciso comunicar o condomínio se um caso de coronavírus for confirmado, sempre mantendo a privacidade da pessoa que está doente.

“Se souber de um caso no prédio, deve ser alertado sem dizer quem é. É importante alertar para os cuidados que todo mundo tem que ter. Prevenção é fundamental: não adianta o síndico fazer o trabalho sozinho, os moradores têm que tomar cuidados também”, explicou.

[18/03/2020] Piscina, academia, salão de festas: condomínios restringem uso de áreas comuns em Ribeirão Preto

Medidas visam conter avanço do novo coronavírus na cidade. Município avalia 32 casos suspeitos. Outros 13 foram descartados e nenhum foi confirmado

Síndica no Jardim Nova Aliança Sul, em Ribeirão Preto (SP), Marcela Marques Ferreira colocou frascos de álcool em gel em diferentes partes do condomínio para estimular os moradores a se protegerem do novo coronavírus (Covid-19).

Mas as medidas contra o avanço da doença não param por aí. A fim de minimizar ao máximo as chances de infecção, ela proibiu, a partir desta terça-feira (17), que os moradores utilizem áreas comuns como o salão de festas, quiosques com churrasqueiras, piscina e academias.

“Essas medidas foram tomadas para prevenir. A gente ainda não sabe o que está acontecendo. A gente não sabe a proporção que isso vem tomando. Para prevenir para que não prolifere dentro e fora do condomínio, a gente resolveu tomar essas medidas”, diz.

Segundo balanço divulgado nesta terça-feira pela Secretaria Municipal de Saúde, Ribeirão Preto tem 32 casos de coronavírus ainda sob suspeita e outros 13 descartados, sem nenhuma confirmação. No estado de São Paulo, onde foi confirmada a primeira morte em função da doença, são 301 registros confirmados pelas autoridades.

Fora dos condomínios, as restrições de circulação de pessoas impactam o funcionamento de diferentes locais:

  • repartições públicas
  • shoppings
  • centros culturais
  • universidades

Sem piscina e sem quadra

Depois de instalar frascos de álcool em gel, o síndico Thiago Oliveira Alves reforçou as medidas em um condomínio no Jardim Ipiranga, zona norte da cidade. Seguindo as recomendações da administradora, ele restringiu o uso de algumas das áreas comuns por questão de segurança.

“Piscina por enquanto fechada, a quadra fechada e a área de lazer por enquanto a gente está mantendo para os moradores que estiverem insistindo, mas a administradora já orientou a fechar também”, diz.

A maior preocupação, segundo ele, está nos moradores idosos, já orientados a permanecerem nos apartamentos. “A gente não conhece essa doença a fundo ainda, então é bom a gente prevenir pra não ter problema aqui no condomínio.”

Marcela estabeleceu na zona sul que a proibição de uso nas áreas comuns é por tempo indeterminado, mas espera que ela seja breve. “Fiz uma normativa interna, as pessoas estão colaborando”, afirma.


Fonte: https://g1.globo.com/

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.