Outubro Rosa: veterinário tira dúvidas sobre câncer de mama em pets

Por Marília Moraes*, G1 Sorocaba e Jundiaí

O mês de outubro tem uma programação especial voltada à prevenção e ao combate do câncer de mama no Brasil. Afinal, em 2018, cerca de 60 mil novos casos da doença foram descobertos no país, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Mas será que os animais de estimação também correm o risco de desenvolver câncer nas mamas? O G1 conversou com um médico veterinário para esclarecer todas as dúvidas sobre este assunto. Confira:

Diagnóstico e prevenção

De acordo com o médico veterinário Adelmo Miguel, é possível (e, inclusive, comum) que o câncer se desenvolva nas fêmeas de cachorro ou gato. “O câncer de mama representa 50% de todos os tumores diagnosticados em cadelas e pode acometer mais de 30% destas que não são castradas”, explica.

A doença é silenciosa, mas nódulos mamários podem ser observados e apalpados pelo dono do animal, que deve ficar atento a qualquer sinal. Recomenda-se apalpar com regularidade as mamas do animal para que qualquer característica eventual venha a ser detectada.

“Se houve diagnóstico no início são nódulos bem pequenos, que lembram um grão de arroz pela sua consistência firme. É preciso ficar atento.”

Segundo o veterinário, alguns tumores se desenvolvem muito rápido e atingem grandes proporções. “Em fase mais avançada e em casos em que o tumor avançou e metastizou, ou seja, dominou o local, é comum a perda de peso, palidez, dificuldade respiratória e dor abdominal”, comenta.

O risco da doença pode variar conforme a carga genética e as ações preventivas realizadas. Castrar o bichinho ajudar a diminuir os riscos, mas não em todas as idades.

“A castração realizada antes do primeiro cio reduz o risco de desenvolvimento de câncer de mama para apenas 0,5%. Este risco aumenta significativamente nas fêmeas castradas após o primeiro cio (8%) e no segundo cio (26%). A proteção conferida pela castração desaparece após os dois anos e meio de idade, quando nenhum efeito preventivo é obtido”, comenta.

Tratamento

Veterinário tira dúvidas sobre o câncer de mama nos pets — Foto: Marcelo Brandt/G1

Veterinário tira dúvidas sobre o câncer de mama nos pets — Foto: Marcelo Brandt/G1

De acordo com o especialista, o tratamento é semelhante ao recomendado para as mulheres com câncer de mama. “Consiste na retirada do tumor, biópsia do nódulo e, em caso de tumores agressivos, tratamento com radioterapia, imunoterapia e quimioterapia. A quimioterapia é um recurso importante para aumentar a sobrevida do paciente e evitar o retorno de novos tumores”, explica.

Para reverter o quadro, a mastectomia também pode ser feita no animal, ou seja, a retirada das mamas. “Como forma de prevenção, é retirada toda a cadeia mamária da fêmea para que não haja chances do câncer retornar. A cirurgia é indicada em todos os casos, sendo de grande porte e de pós-operatório delicado.”

Quanto à quimioterapia, o médico esclarece que nos animais pode ser mais tranquila pelo fato de não ter o psicológico prejudicado.

Custos

Quanto custa o tratamento do câncer em um pet? O médico explica que pode variar de acordo com a complexidade do câncer a ser tratado e do profissional que está no comando.

“Além do custo com os honorários veterinários e com os medicamentos, o tutor deve saber que também há custos com exames laboratoriais, que são solicitados com bastante frequência para monitorar os efeitos colaterais dos quimioterápicos e também a eficiência do tratamento.”

Ele ainda comenta que é comum a utilização de quimioterápicos da medicina humana para o tratamento dos pets. “Alguns remédios precisam de administração diária, outros semanais e alguns até com intervalo de tempo maior. Cada caso é um caso e precisa ser avaliado por um profissional”, completa.

*Colaborou sob supervisão de Ana Paula Yabiku.

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